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O fado é bom demais... um documentário sobre o Fado de Quissamã

fado_cruz.jpgEm Quissamã, na região Norte Fluminense (Estado do Rio de Janeiro) existe um fado que remonta aos tempo dos engenhos de açúcar, «casas grandes» e senzalas.

Jovens, educados e desempregados

desemprego.jpgSão Paulo, domingo, 21 de fevereiro de 2010 -
Folha de S.Paulo TENDÊNCIAS/DEBATES

Existem 7 milhões de jovens entre 15 e 24 anos que, por mais que tentem, não participam dos mercados de trabalho na América Latina

Jovens estão atrasados na escola, conclui estudo do Ipea

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Jornal do Brasil

BRASÍLIA - Menos da metade dos jovens de 15 a 17 anos está cursando o ensino médio, etapa de ensino adequada para esta faixa etária, e apenas 13% dos jovens de 18 a 24 anos frequentavam o ensino superior em 2007. Esses são alguns destaques da pesquisa Juventude e Políticas Sociais no Brasil, divulgada terça-feira pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada.

Incra vai demarcar área quilombola na Marambaia-RJ

Ilha da MarambaiaFonte: AE - Agencia Estado - quinta-feira, 14 de janeiro de 2010, 14:37 |

A Cidade contra a Escola?

logo_observatorio_III.pngO artigo A cidade contra a escola?

Sexo e poder são os principais atrativos para recrutamento de jovens para o tráfico

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21/12/2009 - 13h12

Marina Lemle
Especial para o UOL Notícias
No Rio de Janeiro

A sensação do poder armado e a conseqüente facilidade de conquistar mulheres são os grandes estímulos que levam crianças, adolescentes e jovens a entrarem para o tráfico, já que a atividade não rende mais financeiramente o que rendia há alguns anos. Essa é uma das principais conclusões da pesquisa "Meninos do Rio: jovens, violência armada e polícia nas favelas cariocas", lançada nesta segunda-feira no Rio de Janeiro. O estudo foi promovido pelo Unicef e coordenado pela cientista social Silvia Ramos, coordenadora do Centro de Estudos de Criminalidade e Cidadania (Cesec), da Universidade Candido Mendes.

Em entrevista exclusiva para o UOL, a autora contou que a capacidade das armas de atrair meninas - as chamadas "Maria Fuzil" - surgiu como um comentário constante nas entrevistas feitas com jovens, mães, lideranças comunitárias e técnicos de projetos sociais do Complexo do Alemão e de favelas e bairros da Zona Oeste do Rio. Além de sete grupos focais, reunindo 87 jovens, técnicos e mães, foi realizada uma pesquisa quantitativa executada por 14 jovens que entrevistaram 241 rapazes e moças de 14 a 29 anos.

Outra revelação do estudo é que as razões alegadas para a entrada no tráfico são as mesmas que as de saída ou não entrada. "A única coisa realmente comum a todos os jovens que ingressam no crime é a presença de grupos ilegais armados na esquina de casa", diz Silvia. Para a pesquisadora, enquanto durar o controle territorial por traficantes e milícias em favelas do Rio, alguns jovens, mesmo sem convicção, vão "experimentar a vida".

Veja abaixo trechos da entrevista, feita no final de semana no Rio de Janeiro.

O que estimula crianças e adolescentes a entrarem para grupos armados em favelas cariocas?
Silvia Ramos -Muitas vezes, as "causas" que explicariam porque um jovem entrou para o tráfico eram as mesmas que explicariam por que outro jovem não entrou. Famílias desestruturadas, falta de dinheiro, pais violentos, parentes envolvidos no tráfico... ouvimos de jovens que hoje estão na universidade que estas foram exatamente as razões para fugirem do crime e buscarem alternativas. As chamadas causas clássicas, sócio-econômicas, parecem hoje, mais do que em qualquer outro momento, muito frágeis para ajudar a compreender as forças que fazem de um trabalho que paga pouco e é perigoso ser ainda atraente para alguns.

Então o que os leva a correr tamanhos riscos?
Silvia Ramos -A capacidade das armas para atrair meninas surgiu como um comentário constante não só de traficantes, ex-traficantes e jovens de projetos, como de mães e assistentes sociais que trabalham com jovens nas favelas. Luiz Eduardo Soares e outros autores já tinham chamado a atenção para os aspectos simbólicos, ligados à afirmação e à visibilidade, envolvidos nas dinâmicas da violência armada. Mas certamente o que há de mais comum em todas as histórias é a presença, dentro da favela, na esquina perto de casa, de grupos armados ostentando armas e "mandando no pedaço". Como a "experiência", o "ir e vir", é uma característica da juventude contemporânea, experimentar a vida no crime poderia ser apenas uma passagem. Mas algumas vezes a passagem é fatal e esse garoto mata, morre ou vai preso.

Quais as principais conclusões do estudo?
Silvia Ramos -A conclusão principal é que é preciso ouvir os que estão no tráfico, os que saíram e os que trabalham no dia a dia das favelas com os jovens. Nós construímos estereótipos e certezas sobre o tráfico, as armas, as drogas e o crime, quando na verdade o mundo dentro dos grupos armados muda toda hora. Se quisermos entender o que está passando com esses meninos do Rio, precisamos ouvi-los. A segunda conclusão principal é: a única coisa realmente comum a todos os jovens que ingressam no crime é a presença de grupos ilegais armados na esquina de casa. Enquanto durar o controle territorial por traficantes e milícias em favelas do Rio, alguns jovens, às vezes sem muita convicção, vão experimentar "a vida", como eles dizem. Mas essa experiência às vezes é definitiva. Para o próprio ou para outro. O mesmo se passa com os carros, a velocidade, os esportes radicais, o risco e tantas coisas que "atraem" na juventude. Se não houver blitz, polícia, pardal e multa impedindo que um garoto pegue o carro do pai e acelere a 120 por hora numa curva, alguns jovens sempre vão "experimentar" essa sensação de perigo. E alguns vão matar e morrer.

Quem são as principais vítimas e autores da violência letal no Rio de Janeiro e qual a relação com o foco do estudo?
Silvia Ramos -Morrem 50 mil pessoas aproximadamente por ano no Brasil vítimas de homicídio. Nossa taxa de homicídios é a sexta maior do mundo, com 26 por 100 mil. Nossa taxa de homicídio de jovens de 15 a 24 anos é a quinta maior, chegando a 50 por 100 mil. No Rio de Janeiro, tomando apenas os jovens, a taxa ultrapassa os 100 por 100 mil. Quando olhamos apenas para os jovens do sexo masculino negros e pardos aos 23 ou 24 anos, a taxa de homicídios do Rio chega a 400 por 100 mil. No Rio, a morte violenta tem cara, cor e endereço: é um rapaz negro morador de uma favela, ou de um bairro da Zona Oeste, usando bermuda e boné. Os autores desses homicídios - ainda que não existam estatísticas para comprovar - são predominantemente jovens envolvidos em dinâmicas de grupos armados, em geral traficantes de drogas, que vivem nas favelas. Mas não só: no Rio, a polícia mata mais de 1000 pessoas a cada ano. Sempre nas favelas e bairros pobres. Por isso o foco do estudo foram as favelas e bairros da Zona Oeste do Rio.

O que se pode fazer para mudar esse cenário?
Silvia Ramos -Cabe ao governo e à polícia retirar os grupos armados que dominam áreas da cidade pelos fuzis e granadas. Cabe a nós, como sociedade, pensar em alternativas para rapazes que tiveram passagens pela vida de bandidos, em geral têm baixa escolaridade, mas desejam experimentar a "emoção de fazer parte da sociedade" ou de "andar livremente por Copacabana, Ipanema e Leblon, de cabeça erguida", como disse um jovem que saiu do tráfico e há um ano tem sua carteira assinada por meio de um projeto do AfroReggae. O AfroReggae está fazendo hoje, com mais de uma centena de jovens, aquilo que os governos deveriam se preocupar em fazer com milhares de garotos que estão nas favelas ou saindo das prisões.

Por que alguns saem do crime e outros não?
Silvia Ramos -Um disse que a namorada engravidou e ele precisava arrumar a vida. Outro disse que pensou na mãe, outro que viu um amigo sendo morto. Muitos disseram que a vida no tráfico é muito dura - 12 horas de trabalho, ganhando pouco, sob muito risco e ninguém fica rico. "A gente cansa, a ilusão acaba", disseram. O fato é que, com algumas exceções, quase todos os rapazes que hoje se encontram no tráfico aceitariam experimentar um emprego com carteira assinada e largar as armas. Poder circular livremente pela cidade é uma atração muito forte para garotos que têm armas, algum dinheiro e "fama" na favela, mas não podem levar a namorada ou o filho ao shopping mais próximo. Poder dormir uma noite inteira sem pensar que a polícia ou o "alemão" pode entrar, é
um sonho que os que estão segurando as armas referem permanentemente.

Existem jovens que vivem uma "vida dupla"?
Silvia Ramos -Essa é outra novidade que encontramos. As identidades não são sempre puras, como "traficante", "estudante", "trabalhador", "bandido" ou "otário". Alguns garotos quando voltam da escola trabalham algumas tardes da semana na "endolação" (embrulhando as drogas), alguns trabalham de dia numa empresa e à noite ou no fim de semana prestam serviços para a boca. Outros são traficantes profissionais, mas paralelamente têm seus negócios inteiramente legais na favela. Se os negócios derem certo, planejam "sair do crime". Em resumo, as identidades instáveis, mutantes - ou as trajetórias ioiô, como denomina José Machado Pais - e a recusa aos rótulos também ocorre atualmente entre jovens de favelas e não só entre jovens de classe média.

Como é a hierarquia e a dinâmica no tráfico?
Silvia Ramos -A situação do tráfico nas favelas cariocas é bastante heterogênea. Não há mais padrões salariais, hierárquicos ou funcionais rígidos e a mudança ocorre não apenas de uma favela para outra, mas de uma semana para outra na mesma boca de fumo. O que predomina na maioria das comunidades é uma sensação de instabilidade, com chefes sendo mudados às vezes em semanas e muitos garotos novos tendo "muito poder", segundo palavras de traficantes e ex-traficantes entrevistados. Outra mudança importante é a mistura da função de traficante e de assaltante. É comum, em algumas favelas, que o traficante "vá para a pista" roubar, quando o movimento das drogas está fraco. Isso no passado era inconcebível e poderia custar a vida de quem desobedecesse.

E o crack?
Silvia Ramos -Ouvimos muitas reclamações e comentários indignados, inclusive de traficantes, sobre a entrada do crack e o estrago e degradação que está causando em algumas áreas.

O que mais mata os integrantes de grupos?
Silvia Ramos -Quando imaginamos as mortes nos grupos ilegais armados, sejam traficantes ou milícias, pensamos em grandes confrontos, onde o opositor é um policial ou um bandido de outra facção. Mas na prática mortes acontecem o tempo todo dentro dos grupos, por ciúmes, inveja, tensões interpessoais, familiares, namoros e às vezes por brigas típicas de adolescentes. A proximidade das armas contribui ainda mais para uma cultura masculina que naturaliza a resolução de conflitos na base do tiro. Um ex-traficante contou que era o "frente" da favela. Um garoto da boca foi pra rua e voltou com uma "twister", um tipo de moto. O frente pediu para dar uma volta, o garoto que trouxe a moto não deixou, disse que ele que roubou, a twister era dele. O "frente" disse: "tu tá pensando que tá falando com quem?" E disso desenvolveu-se uma disputa de "autoridade" que teria sido resolvida à bala se o garoto não tivesse cedido a moto. Típica briga de adolescentes. De fato, Alba Zaluar, nos primeiros estudos sobre os grupos armados - gangues, quadrilhas e galeras - chama atenção para este fato. Mas nas condições atuais, de crise e desorganização das bocas de fumo, há uma radicalização das decisões tomadas na base de disputas insanas e um aprofundamento da cultura da morte. Eu pessoalmente estou convencida que boa parte das "invasões" e tentativas de "tomadas" de territórios entre facções ou em confrontos com a polícia, que provocam tiroteios toda hora, mortes, perdas de armas, munições, dinheiro e drogas para os grupos... isso tem muito pouco de racionalidade econômica. O que predomina é uma lógica de gangue.

E as milícias, também reagem na base do tiro?
Silvia Ramos - Essa foi também a reação inicial das milícias quando finalmente a polícia resolveu combatê-las, no início do governo Sergio Cabral: jogaram bombas em delegacias, ameaçaram autoridades, executaram policiais, aumentaram as mortes. Mas passados quase três anos, tudo indica que vários grupos de milícia respondem com maior racionalidade econômica às investidas da polícia e tendem a se tornar menos visíveis no território, menos ostensivos e mais silenciosos, para manter a venda de sinal de televisão, gás, participação no transporte etc. O fenômeno é relativamente novo e não é possível ainda definir uma tendência definitiva, mas parece que a incapacidade dos grupos do tráfico de adaptar a venda das drogas no varejo a um modelo que não dependa do controle territorial armado - modelos que predominam em todas as outras cidades do Brasil - será uma das causas de sua decadência em várias favelas do Rio.

Fonte: UOL Notícias Cotidiano

http://noticias.uol.com.br/cotidiano/2009/12/21/ult5772u6722.jhtm

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Serviço Observatório Jovem/UFF

Acesse o boletim com a síntese da pesquisa

Juventude e Desigualdade Racial - Ipea lança novo estudo sobre a PNAD

piramide_desigualdade.jpgComunicado da Presidência sobre Juventude e Desigualdade Racial foi divulgado nesta quinta-feira por técnicos da Disoc

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgou nesta quinta-feira, dia 3 de dezembro, às 10h, mais um estudo da série sobre a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) 2008 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Coordenado pela Diretoria de Estudos e Políticas Sociais (Disoc), o Comunicado da Presidência nº 36 PNAD 2008: Primeiras Análises apresenta dois tópicos, Juventude e Desigualdade Racial. No tema Juventude, é analisada a situação dos jovens brasileiros, com recortes de faixa etária, gênero e regiões, nos quesitos educação, mercado de trabalho e transição escola-trabalho.

Consideram-se jovens aqueles entre 15 e 29 anos, uma população que soma hoje 49,7 milhões de pessoas, cerca de 26,2% da população total. Entre as constatações do trabalho, está a evolução, entre 1998 e 2008, da escolaridade neste grupo.

O segundo tema é apresentado a partir da contribuição da desigualdade regional para a desigualdade de raças no Brasil. Como as regiões mais ricas apresentam maior porcentagem de pessoas brancas, uma parte da desigualdade racial é necessariamente resultado das desigualdades entre regiões.

A íntegra do Comunicado da Presidência nº 36 foi divulgada no auditório do Ipea (SBS, Quadra 1, Bloco J, Edifício BNDES, subsolo), com coletiva on-line, e contou com a participação dos técnicos responsáveis por sua elaboração: Joana Mostafa e Carla Andrade (Juventude) e Rafael Ozório e Pedro de Souza (Desigualdade Racial).
 

Leia a íntegra do Comunicado da Presidência nº 36

Veja os gráficos sobre Desigualdade Racial

Veja os gráficos sobre Juventude

Leia matéria da Agência Brasil no Portal EMdiálogo

 

Fonte: IPEA (03/12/2009 - 11:05) - www.ipea.gov.br

A juventude vai ao cinema - lançamento do livro

A_juventude_vai_ao_cinema.jpgO livro A juventude vai ao cinema será lançado no princípio de dezembro pela editora Autêntica, Belo Horizonte. A organização da coletânea é professora Inês Assunção de Castro Teixeira e dos professores José de Souza Miguel Lopes e Juarez Dayrell.

Leia abaixo a sinopse da editora e o sumário do livro:

Nesta coletânea estão presentes as mais diversas formas de ser, de estar e de se viver a juventude, juventudes muitas, sob o olhar de vários cineastas, de diferentes países e épocas. A obra contém vários olhares e sensibilidades, várias questões e reflexões de grandes diretores do cinema mundial, que buscaram observar, escutar, sentir, pensar, dialogar com as juventudes, tentando compreendê-la, dar-lhes visibilidade e registrá-la com suas câmeras. E assim como os diretores das obras cinematográficas escolhidas para comporem a coletânea, os autores/as dos textos, nossos convidados/as, pesquisadores do campo da educação e/ou da juventude, oferecem-nos diferentes planos e prismas, idéias e palavras, perspectivas teórico-analíticas e narrativas em seus trabalhos sobre os filmes, compondo, a partir do elenco dos filmes escolhidos, um caleidoscópio de figurações, imagens, luzes e sombras, no qual a juventude é o centro. Partimos dos princípios gerais da Coleção, destinada prioritariamente a educadores/as, entendendo o cinema como arte e pensando largo sobre suas possibilidades na educação e na escola. Nesse sentido, propomos que nelas esteja presente, não apenas como passatempo ou ocupação de tempo, não ou somente como uma linguagem e não somente como recurso pedagógico e instrumentalização didática, mas como uma arte que nos faculta o encontro com a alteridade.

 

 

 

 

 

PREFÁCIO
Marília Sposito
APRESENTAÇÃO
Inês A.C. Teixeira
Juarez T. Dayrel
José Miguel S. Lopes

PARTE I:
CULTURAS JUVENIS
“Asesinos adolescentes, asesinados”: Los Olvidados
Carles Feixa
Maria Cheia de Graça: um corpo “mula”, um corpo prenhe
Glória Diógenes
Não sou mais assim: decolagem, phylia e
hospitalidade em um Albergue Espanhol
Carlos André Teixeira Gomes, Inês Assunção de Castro Teixeira
e Karla de Pádua.
Zona J: de uma estética do consumo a uma estética do crime
Gisela Ramos Rosa, em colaboração com José Machado Pais
Proibido Proibir: jovens universitários entre o campus e a cidade
Paulo Carrano

Por um tempo da delicadeza
Paulo Henrique de Queiroz Nogueira
Elefante e o universo juvenil na obra de Gus Van Sant
Geraldo Leão.

PARTE II
REBELDES JUVENTUDES
Antes da Revolução: existência e
futuro individual num momento efêmero
José de Sousa Miguel Lopes
Edukators: novas formas de visibilidade da juventude contemporânea
Juarez Tarcísio Dayrell e Rodrigo Ednilson .
Na motocicleta, sem perder a ternura
Antonio Julio de Menezes Neto .
Batismo de Sangue e o que é que eu tenho a ver com isso, hoje?
Nilton Bueno Fischer .
Juventude: a rebeldia em cena ou a utopia do poder
Sandra Pereira Tosta e Thiago Pereira
 

Saiba mais sobre o livro do Estado da Arte sobre Juventude no Brasil

O livro Estado da Arte sobre Juventude na Pós-Graduação Brasileira - Educação, Ciências Sociais e Serviço Social (1999-2006), foi publicado em dois volumes pela Editora Argumentun, Coleção Educere.

Os artigos do livro da pesquisa Estado da Arte (1999-2006) trataram dos seguintes temas: juventude e escola; adolescentes em processos de exclusão social; jovens universitários; jovens, sexualidade e gênero; jovens e trabalho; juventude, mídias e TIC; jovens na intersecção da escola com o mundo do trabalho; grupos juvenis; jovens na interface com a política e estudos históricos sobre a juventude. O livro traz ainda um prefácio dos pesquisadores Juarez Dayrell e Paulo Carrano, uma introdução e um capítulo de balanço da produção discente em Educação, Serviço Social e Ciências Sociais (1999-2006), de autoria da coordenadora da Pesquisa, Marilia Sposito.

Publicação faz balanço da produção de conhecimentos sobre a juventude no Brasil

por Paulo Carrano e Jaqueline Deister, do Observatório Jovem/UFF
 
CAPA-EstadoArte-Vol-1.JPGA escola, o trabalho, a sexualidade, a exclusão social e a mídia são alguns dos temas abordados no livro Estado da Arte sobre juventude (1999-2006).
 
 A coletânea, organizada em dois volumes, é resultado da pesquisa nacional desenvolvida em rede e coordenada pela pesquisadora Marilia Sposito (USP) sobre a produção de conhecimentos discente de Mestrado e Doutorado no tema Juventude.
 
A pesquisa fez um levantamento de teses do Portal Capes no período de 1999 até 2006, nas áreas da Educação, Ciências Sociais (Antropologia, Ciência Política e Sociologia) e Serviço Social. Além disso, produziu artigos sobre diferentes eixos temáticos. A publicação dos dois volumes deste livro foi possível com o apoio do Projeto Diálogos com o Ensino Médio, uma parceria iniciada no ano de 2009 entre o Observatório da Juventude da UFMG,o Observatório Jovem da UFFe a Secretaria de Educação Básica do MEC.
 
Olivro que será lançado neste mês de dezembro, além da versão impressa, terá uma versão on line no portal EMdiálogo. Ao todo a pesquisa analisou 1427 trabalhos entre teses e dissertações que foram produzidas de 1999 até 2006. A publicação atualiza o primeiro balanço que cobriu o período de 1980 a 1998 e analisou trabalhos da área de Educação. Essa primeira iniciativa foi publicada pelo INEP, em 2000, no livro Juventude e Escolarização. Acesse aqui o livro do primeiro estado da arte.
 
A coordenadora da pesquisa, Dra Marília Sposito, da Faculdade de Educação da USP, explica que a necessidade de um segundo levantamento surgiu devido ao expressivo número de estudos sobre o tema juventude na virada do Século XX. De acordo com Marília, a nova pesquisa abrange outras duas áreas de conhecimento relacionadas com as ciências sociais, além da Educação:
 
“A nossa equipe reconhece que outras áreas não cobertas pelo atual Estado da Arte também são importantes, por exemplo: Saúde coletiva, Comunicações e Psicologia. No entanto, diante dos recursos humanos disponíveis fomos obrigados a fazer recortes.”
 
Marília Sposito ressalta que a decisão de analisar os trabalhos produzidos pela Pós, partiu do princípio de que parte da produção de conhecimento no país se desenvolve durante a formação de novos pesquisadores. 
 
Além da equipe da USP, o Estado da Arte contou com pesquisadores, professores, alunos da Pós-Graduação e bolsistas de iniciação científica do Observatório da Juventude da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e do Observatório Jovem da Universidade Federal Fluminense (UFF).
 
O levantamento no Portal da Capes
 
Num primeiro momento foram levantados seis mil trabalhos, que passaram por uma triagem ficando ao todo 1427 teses e dissertações colhidas a partir de informações do Banco de Teses do portal da CAPES. O site foi percorrido em duas etapas: a primeira cobriu o período agosto-dezembro de 2006 e levantou a produção de 1999 a 2004. A segunda de agosto a dezembro de 2007 levantou os trabalhos referentes aos anos de 2005 e 2006.
 
“As ferramentas de busca do Portal são limitadas, não permitem pesquisar um único programa de pós-graduação, uma área do conhecimento. É impossível fazer buscas a partir de um único campo palavra-chave, título ou resumo”, destaca Marília.
 
A partir dos resumos publicados no banco da Capes os pesquisadores buscaram os trabalhos completos junto aos autores e aos programas de pós-graduação. Segundo Sposito, no processo de captação dos trabalhos o mais difícil foi recuperar os exemplares que não estavam disponíveis na versão online. Para ela, a recuperação de boa parte das teses e dissertações só foi possível devido ao intercâmbio entre as bibliotecas universitárias e pelo sistema COMUT (Programa de Comutação Bibliográfica do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia). 
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Os temas mais abordados

A pesquisa do Estado da Arte separou em 27 temas os trabalhos analisados nas áreas de Educação, Serviço Social e Ciências Sociais. Assim como o balanço da produção acadêmica no primeiro Estado da Arte, os temas da área de Educação tiveram maior número. Os estudos sobre Adolescentes em processo de exclusão, Juventude e escola e Jovens universitários foram os mais desenvolvidos por pesquisadores.

 Para a socióloga Lívia de Tommasi, que também participou da pesquisa analisando os trabalhos sobre Adolescentes em Processo de Exclusão, categorizar os trabalhos nos diferentes temas não foi tarefa fácil:
 
Muitos trabalhos abordam mais de um tema e podiam ser classificados em diferentes categorias,” diz.
 
O tema Adolescentes em Processo de Exclusão Social agregou 12% dos trabalhos analisados. Esta temática é delimitada pela faixa etária dos 18 anos para a adolescência prevista pelo Estatuto da Criança e do Adolescente.  
 
Os autores das teses e dissertações recorrentemente associam o comportamento violento e a exclusão dos jovens a processos sociais, tais como: pobreza, desestruturação familiar, desemprego e evasão escolar. Lívia de Tommasi alerta que é preciso ter cuidado ao se estabelecer uma relação de causa-efeito quando se fala em trajetórias de jovens:
 
“Os pesquisadores acham que encontrando as causas será encontrada a solução, mas a realidade é mais complexa. O papel da academia é entender o que está acontecendo e não encontrar soluções para os problemas sociais”,ressalta.
 
O segmento Juventude e Escola, com 17,74 %, lidera a lista dos trabalhos classificados pela pesquisa como voltados para a problemática da escolarização básica dos jovens. Em comparação ao primeiro Estado da arte, houve um acréscimo de trabalhos nesta temática, sendo que num universo de 387 trabalhos 12,91% tratavam da relação Juventude e Escola.
 
No entanto, os pesquisadores do Estado da arte não se entusiasmam com o simples aumento do número de trabalhos em determinado tema. Segundo Juarez Dayrell, que analisou o tema Juventude e Escola nas duas pesquisas, a popularização da Pós-Graduação nesses últimos dez anos tem contribuído para uma superficialidade nas análises:
 
 “Falta diálogo entre os trabalhos. Os pesquisadores não buscam saber o que já foi publicado sobre os temas que escolhem para estudar e acabam repetindo pesquisas já feitas,” ressalta.
 
A coordenadora da pesquisa, Marilia Sposito, preocupa-se com a qualidade dos trabalhos no contexto da expansão de cursos de Pós-Graduação, notadamente os mestrados da área de Educação:  
 
Nem sempre os programas funcionam a partir de grupos de pesquisa consolidados. Se torna urgente uma discussão sobre o que esperar do Mestrado na atualidade”, pondera.


De acordo com Marília e Dayrell, os temas que foram menos explorados nas teses e dissertações levantadas foram as questões dos jovens da classe média, dos indígenas e rurais.
 
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A expansão do Estado da Arte para as áreas de Serviço Social e Ciências Sociais trouxe questões não abordadas na Educação. O tema participação e cultura política mostrou que há pouco interesse por parte dos pesquisadores de Educação e Serviço Social em desenvolver trabalhos relacionados à juventude e à política.
 
Ana Karina Brenner, doutoranda em Educação da USP, co-autora de artigo na coletânea, comenta esta lacuna de estudos sobre o jovem e a política:
 
“Os estudos desenvolvidos, não só no tema Participação e cultura política mas no Estado da Arte como um todo, muitas vezes tratam os jovens como um grupo de risco que deve solucionar os seus próprios problemas,” relata Ana.
 
Mas Ana Karina ressalta que houve uma inovação em relação aos espaços de investigação da militância de jovens. Segundo Ana Karina, representa uma novidade a emergência de pesquisas sobre jovens militantes em grupos ambientais ou na esfera religiosa, por exemplo.
 
A universidade e o jovem
 
O sonho de entrar na universidade, de preferência pública, se formar e ter um emprego está no topo da lista dos objetivos de jovens brasileiros que conseguem concluir o Ensino Médio. Porém, segundo a PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio) de 2007, apenas 13% dos jovens ingressam no Ensino Superior sendo que a maioria em instituições privadas.
 
 
O artigo “Jovens Universitários: acesso, formação, experiências e inserção profissional”, faz um balanço de como os trabalhos acadêmicos têm abordado o tema dos jovens universitários e aponta novas áreas de investigação para teses e dissertações sobre o tema. O texto foi produzido pelo professor Paulo Carrano, da Faculdade de Educação da UFF.
 
O tema jovens universitários contemplou 149 trabalhos. De acordo com Carrano, as pesquisas voltadas para o exame vestibular e o fenômeno dos cursinhos pré-vestibulares para jovens de baixa renda trouxe novos elementos para o debate:
“Considerando os trabalhos que integram este Estado da Arte, é possível afirmar que ainda não houve tempo para que a produção acadêmica refletisse sobre novidades como o Prouni, por exemplo, que se apresenta como uma nova fronteira de investigação,” diz Carrano.
O professor ressalta que a diversidade de públicos jovens que hoje integram a universidade brasileira é pouco explorada pelos alunos dos cursos de mestrados e doutorados em suas pesquisas:
 
“As instituições privadas, sem dúvida, receberam nos últimos anos grandes levas de jovens dos setores populares. No entanto, a mudança atingiu também as universidades públicas que já não podem ser consideradas apenas como instituições para jovens da elite,” conclui o professor.
 
A pesquisa do Estado da Arte surge como uma importante ferramenta para avaliar o conteúdo produzido na Pós-Graduação sobre a juventude brasileira. A expectativa dos pesquisadores é que a publicação da pesquisa contribua para a consolidação e estruturação do campo de estudo sobre a juventude no Brasil, não apenas no âmbito acadêmico mas também em outras esferas da vida social que requeiram conhecimentos sobre os jovens e a juventude. 
 
A aposta dos participantes da pesquisa e autores do livro é  que ele se torne uma ferramenta de diálogo na arena de estudos sobre os jovens e a juventude, pois, ele apresenta quadro de leituras, faz aproximações temáticas e pode contribuir para que novos e experientes pesquisadores mapeiem, priorizem e delimitem novos problemas e temas de estudo.
 
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