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Projeto pedagógico deve dar aos jovens visão mais ampla do mundo
Fazer com que o jovem na faixa dos 15 aos 17 anos se interesse pela escola e que a escola permita ao jovem descobrir suas potencialidades. Estes são desafios discutidos por um grupo de trabalho formado por especialistas da Secretaria de Educação Básica (SEB/MEC) e do Núcleo de Assuntos Estratégicos da Presidência da República. As discussões buscam delinear um projeto pedagógico para que o ensino médio se torne mais atrativo ao estudante e leva em conta, entre outros aspectos, a organização curricular, formação docente e o ingresso no ensino superior
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Fazer com que o jovem na faixa dos 15 aos 17 anos se interesse pela escola e que a escola permita ao jovem descobrir suas potencialidades. Estes são desafios discutidos por um grupo de trabalho formado por especialistas da Secretaria de Educação Básica (SEB/MEC) e do Núcleo de Assuntos Estratégicos da Presidência da República. As discussões buscam delinear um projeto pedagógico para que o ensino médio se torne mais atrativo ao estudante e leva em conta, entre outros aspectos, a organização curricular, formação docente e o ingresso no ensino superior.
O ensino médio tem sido definido pelo ministro da Educação, Fernando Haddad, como o elo frágil da educação básica. O diretor de concepções e orientações curriculares da SEB, Marcelo Pereira da Silva, concorda com o ministro e acredita que, atualmente, o ensino médio deixa de cumprir sua função principal – formar a juventude para um mundo em descoberta – na medida em que é orientado especialmente para o ingresso ao ensino superior.
A intenção do grupo de trabalho é que esta etapa de ensino ofereça ao estudante diversas perspectivas de futuro. “Isso significa pensar o ensino médio que garanta ao aluno sólida formação, e possibilite a ele conhecer o mundo da ciência, da cultura, do trabalho e da tecnologia”, afirma Marcelo. Para isso, os membros do grupo resolveram envolver a comunidade na discussão e reativaram o fórum nacional de coordenadores do ensino médio, com representantes de todas as secretarias estaduais de educação.
Também tomam parte dos debates membros do Conselho Nacional de Educação (CNE) e de entidades dos trabalhadores da educação, entre outras categorias. Na pauta de discussões está a formulação dos indicadores de qualidade do ensino médio, que incluem informações sobre o modelo de gestão, os projetos pedagógicos, o desempenho do aluno, perfil do corpo docente e condições de trabalho. A discussão passa também pelos componentes curriculares básicos que devem ser assegurados no ensino médio, além da forma como tem se operado a transição da educação básica para a superior.
Segundo Marcelo, o currículo escolar no país é tradicionalmente organizado por disciplinas, mas poderia ser flexibilizado. “O volume de informação que o jovem recebe hoje é muito grande”, avalia. Sobre o ingresso na educação superior, Marcelo diz que a transição entre educação básica e superior tem ocorrido fundamentalmente sob orientação do vestibular. “Isso faz com que, em muitas redes, o currículo do ensino médio passe a ser pautado pelos processos seletivos de ingresso em instituições de ensino superior”.
Ensino médio integrado – Uma das possibilidades de oferta do ensino médio discutidas é a integração entre ensino médio regular e formação profissional. “Queremos aprofundar esse modelo pedagógico de modo que não se reduza à profissionalização do ensino médio”, explica. Segundo Marcelo, a intenção não é que toda a oferta de ensino médio seja voltada à formação profissional, mas oferecer perspectivas ao aluno interessado em inserção no mercado de trabalho. O ensino médio integrado, já ofertado em centros de formação profissional e tecnológica (cefets) e escolas técnicas, atrela a formação propedêutica à profissional.
De acordo com Marcelo, o que diferencia o ensino médio de caráter profissionalizante do ensino médio regular não é a natureza desta etapa de ensino, mas a ênfase em determinada formação, no caminho profissionalizante ou não. “O aluno pode ir para outros campos, da cultura, das artes, da ciência”, exemplifica. Na visão dele, o fundamental é que esta etapa tenha como norte “uma formação que possibilite aos jovens descobrirem suas possibilidades”.
Maria Clara Machado do portal MEC
http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&task=view&id=10436
Queda na arrecadação faz governo federal rever valor do Fundeb
O governo federal precisou rever os valores do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) por causa da queda na arrecadação. A previsão dos impostos e contribuições que compõem o fundo teve uma queda de R$ 9 bilhões, o que levou o Ministério da Educação a reduzir a previsão de investimentos por aluno da rede pública no país do atual valor de R$ 1.350,90 para R$ 1.221,34
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O Fundeb é composto por 25% de uma série de impostos e contribuições nacionais e estaduais. O valor de cada Estado é dividido pelo número de alunos matriculados na rede pública.
O governo federal fixa um valor mínimo por aluno para o país de acordo com a arrecadação e, nos estados onde não se alcança esse valor mínimo, a União paga uma complementação. Os valores estaduais e nacional são definidos no final de um ano para o ano seguinte, com base na previsão de arrecadação e o número de alunos registrados no Censo Escolar.
A previsão inicial para 2009 era de que o fundo tivesse R$ 76 bilhões. Mas os números do Tesouro Nacional apontam, agora, para apenas R$ 67 bilhões. Vários Estados tiveram queda na sua previsão de valor médio por aluno. No entanto, o número dos que precisam de complementação da União continua o mesmo. São nove: Paraíba, Pará, Pernambuco, Maranhão, Alagoas, Ceará, Amazonas, Bahia e Piauí.
O valor da complementação da União, definida por meio de lei, também se manterá em R$ 5,07 bilhões. “O que muda é o valor que cada estado recebe. Houve uma redistribuição de acordo com a queda na arrecadação em cada um”, explica Antônio Corrêa Neto, diretor financeiro do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), que administra o Fundeb. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Federal do CE terá curso de jornalismo só para sem-terra
A Universidade Federal do Ceará (UFC) vai oferecer, a partir de janeiro, o primeiro curso de jornalismo no Brasil voltado para estudantes ligados ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). O curso, segundo a professora Márcia Vidal Nunes, coordenadora de pós-graduação da área de comunicação social da universidade, já foi aprovado pelo Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera), ligado ao Ministério do Desenvolvimento Agrário. Ainda de acordo com a professora Márcia Vidal, serão ofertadas 60 vagas anuais. O curso terá duração de quatro anos e o acesso será feito por meio de vestibular
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As aulas serão ministradas pelos próprios professores do curso de
comunicação da Federal do Ceará. Além das disciplinas comuns, os jovens
ligados ao MST terão matérias voltadas para temas da área rural. Parte
das aulas será ministrada na universidade e parte, nas comunidades dos
assentados. Instituído em 1998, o Pronera se destina a estimular a
educação nas áreas de reforma agrária em todo o País. Inicialmente era
voltado sobretudo ao combate ao analfabetismo. Mais tarde passou a
apoiar o ensino profissionalizante e a formação universitária.
comunicação da Federal do Ceará. Além das disciplinas comuns, os jovens
ligados ao MST terão matérias voltadas para temas da área rural. Parte
das aulas será ministrada na universidade e parte, nas comunidades dos
assentados. Instituído em 1998, o Pronera se destina a estimular a
educação nas áreas de reforma agrária em todo o País. Inicialmente era
voltado sobretudo ao combate ao analfabetismo. Mais tarde passou a
apoiar o ensino profissionalizante e a formação universitária.
A criação dos cursos especiais, porém, tem sido cada vez mais
contestada. Em junho, a Justiça Federal determinou a extinção do curso
de direito agrário da Universidade Federal de Goiás, destinado só para
assentados. De acordo com a decisão do juiz Roberto Carlos de Oliveira,
da 9ª Vara Federal, o curso especial, com critérios diferenciados de
seleção dos candidatos, feria "os princípios da igualdade, legalidade,
isonomia e razoabilidade do direito brasileiro".
No Ceará, o Pronera estimula atividades voltadas para assentados há
onze anos, em parceria com as duas universidades públicas do Estado - a
Federal do Ceará e a Estadual. Além de jornalismo, os assentados já
contam com cursos de educação para jovens e adultos, a partir dos 15
anos, com conteúdo programático do 1º ano ao 4º do ensino fundamental,
e de escolarização. No nível superior, são ofertados curso de pedagogia
da terra e de pós-graduação. O objetivo é qualificar profissionais para
os programas de assistência técnica do Instituto Nacional de
Colonização e Reforma Agrária (Incra).
Enem será utilizado para ingresso em cursos de tecnologia
O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) também será utilizado para o ingresso nos cursos de graduação dos Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia. Os estudantes poderão escolher entre licenciaturas ou cursos superiores de tecnologia<!--break-->
Dezoito dos 222 institutos já definiram como vão utilizar o Enem, seja
como prova única ou como porcentual somado aos vestibulares
tradicionais.
como prova única ou como porcentual somado aos vestibulares
tradicionais.
São aproximadamente 5 mil vagas de cursos superiores de tecnologia, e
cerca de 3 mil vagas para licenciaturas, em especial para formação de
professores de química, física, biologia e matemática. Há vagas em
todas regiões do País.
Mais voltados para o mercado de trabalho e por terem menor duração, os
cursos superiores de tecnologia tem crescido tanto em instituições
públicas quanto privadas.
O último Censo da Educação Superior, divulgado em fevereiro deste ano,
mostra que o maior crescimento registrado entre as matrículas de cursos
superiores foi para cursos de tecnologia.
Saiba mais
33 mil jovens deverão ser assassinados no Brasil entre 2006 e 2012, diz Unicef
Mais de 33,5 mil jovens de 12 a 18 anos deverão perder a vida por homicídio entre 2006 e 2012, caso os índices de violência no país não se alterem nos próximos anos. O Índice de Homicídios na Adolescência (IHA), pesquisa realizada em conjunto pela Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República, Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e organização não governamental Observatório de Favelas, foi divulgado nesta terça-feira (21)
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De acordo com o levantamento, a média de adolescentes assassinados no Brasil antes de completarem 19 anos é de 2,03 para cada grupo de mil. O número é considerado elevado, já que, segundo os organizadores da pesquisa, uma sociedade não violenta deveria apresentar valores próximos de zero.
O índice revela o risco de mortalidade por assassinato entre jovens brasileiros e estima quantos adolescentes com pelo menos 12 anos serão vítimas de homicídio antes de completarem 19 anos. Para o levantamento, foram coletados dados de 2006 sobre assassinatos de adolescentes em 267 municípios com mais de 100 mil habitantes.
Ranking por região
O levantamento revela disparidade entre as condições de segurança nas diferentes regiões do país. Em 34% dos municípios pesquisados, o IHA foi inferior a um adolescente assassinado para cada grupo de mil, enquanto cerca de 22% das cidades obtiveram valores superiores a três jovens mortos.
Outros 7% dos municípios, no entanto, puxaram o índice para cima, por apresentarem valores superiores a cinco adolescentes assassinados para cada mil.
O município com o pior resultado é Foz do Iguaçu (PR), onde o IHA é de 9,7. A estimativa é de que 443 jovens com menos de 19 anos sejam assassinados nessa cidade entre 2006 e 2012.
Em segundo lugar, está Governador Valadares (MG), com um índice de 8,5 jovens mortos para cada mil. Entre as capitais, Maceió e Recife lideram o ranking de homicídios entre adolescentes, ambas com uma média de 6,0 jovens mortos para cada mil. O Rio de Janeiro aparece com índice de 4,9.
Grupos de risco
A pesquisa revela ainda que a probabilidade de ser vítima de homicídio é quase 12 vezes maior para homens. Mostra também que a população negra é a que mais sofre com a violência. O risco de um jovem negro morrer assassinado é 2,6 vezes maior em relação a um branco.
Atualmente, os homicídios representam 45% das causas de morte entre os adolescentes. Segundo o levantamento, o risco de assassinato é maior para a faixa etária de 19 a 24 anos, e decresce a partir daí.
A maior parte dos homicídios ocorre por arma de fogo, o que, segundo o relatório, reforça a importância do controle de armamento nas políticas de redução da violência.
Ordem Município UF Índice em 2006
1ª Foz do Iguaçu PR 9,7
2ª Governador Valadares MG 8,5
3ª Cariacica ES 7,3
4ª Olinda PE 6,5
5ª Linhares ES 6,2
6ª Serra ES 6,1
7ª Duque de Caxias RJ 6,1
8ª Jaboatão dos Guararapes PE 6,0
9ª Maceió AL 6,0
10ª Recife PE 6,0
Saiba mais
VIOLÊNCIA NO RIO: O deslocamento da responsabilidade e da culpa
Observatórios se reúnem com diretor do MEC
Durante o seminário do projeto Diálogos com o Ensino Médio, o diretor de Concepções e Orientações Curriculares para a Educação do MEC, Carlos Artexes, falou sobre as ações do Ministério da Educação e mais especificamente da diretoria que coordena. Ele explicou, por exemplo, que o Ensino Médio Inovador, projeto recém lançado pelo MEC, não significa nenhuma alteração na legislação brasileira, mas uma iniciativa que visa complementar a formação dos estudantes de Ensino Médio
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“Não há uma proposta de acabar com as disciplinas obrigatórias. O aluno vai escolher a ampliação, o que é fundamental para ele, seja na cultura, na ciência e no trabalho. Não estamos falando em redução”, afirmou.
O segundo seminário do projeto Diálogos com o Ensino Médio foi realizado em Belo Horizonte durante os dias 11 e 12 de julho, com a participação das equipes do Observatório Jovem/UFF e Observatório da Juventude/UFMG, instituições proponentes do projeto e pesquisadoras da Universidade Federal do Pará (UFPA). As pesquisadoras integram a equipe que está organizando o trabalho de campo de uma pesquisa com estudantes do Ensino Médio no estado.
O Diálogos com o Ensino Médio é uma das iniciativas apoiadas pelo Ministério da Educação. O projeto compreende a pesquisa com escolas de Ensino Médio no estado do Pará, um diretório de documentos sobre o tema e o portal EMdiálogo.
O objetivo do seminário foi avaliar as ações colocadas em prática até o momento e planejar os próximos passos. Ainda no mês de julho começa a pesquisa sobre o Ensino Médio nos municípios de Belém, Santarém e Moju, no Estado do Pará. No mês de agosto, tem início um curso de formação em comunicação para estudantes de Ensino Médio. A proposta do curso é oferecer oficinas de redação, internet, rádio, vídeo e fotografia para que os jovens possam ser parte integrante de uma rede de correspondentes do EMdiálogo nas instituições de ensino, os Observadores das Escolas.
De acordo com os encaminhamentos do seminário, o EMdiálogo também passará por algumas alterações para aumentar o dinamismo da participação e a integração entre estudantes e professores.
Média de recursos por aluno/ano na rede estadual fica entre 1500 e 1600 reais
Segundo Carlos Artexes, o recurso investido por aluno/ano no Brasil nas escolas públicas estaduais está entre 1500 e 1600 reais. Ele disse ainda que no nível federal os recursos estão próximos de quatro mil reais e na rede privada esse valor sobre para seis mil reais. Ainda de acordo com Artexes, até recentemente o valor gasto na rede pública estadual era abaixo de mil reais aluno/ano.
“O horizonte que estamos perseguindo é de dois mil reais aluno/ano”, ressaltou.
Carlos Artexes defendeu o Ensino Médio integrado de educação profissional. Para ele, a formação deve ser unitária, mas precisa dar conta da diversidade de experiências regionais e locais. Destacou que não devemos retomar o dualismo entre o ensino profissional e propedêutico, mas pensar na universalização do Ensino Médio de maneira a incorporar a formação para o trabalho como princípio educativo.
O diretor do MEC anunciou o lançamento de uma Rede Nacional de Intercâmbio entre as escolas de Ensino Médio. Carlos Artexes explicou que a ideia é fazer com que as escolas de todo o Brasil troquem experiências, inicialmente, em um ambiente virtual. O lançamento da Rede está programado para o Seminário Nacional de Políticas Públicas para o Ensino Médio, que será realizado entre os dias 22 e 24 de setembro, em Brasília.
Ensino Médio chileno continhua seguindo em direção à iniciativa privada
Em entrevista ao EMdiálogo, a professora chilena Maria Angélica Oliva explica porque a Lei Geral de Educação naquele país rompeu muito pouco com a lógica privatizante da ditadura militar
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No Chile, escolas passaram a fazer parte da administração dos municípios e os professores perderam a sua condição de funcionários públicos. Essas são duas das conseqüências listadas pela professora da Universidade de Talca, no Chile, Maria Angélica Oliva, das políticas para a educação da ditadura militar de Pinochet. A professora ressalta que não há hoje, no país, nenhum plano de governo para mudar a situação, que é parte da política neoliberal adotada no Chile.
Para Maria Angélica, no momento em que se trocou a antiga lei da ditadura militar (LOCE) pela Lei Geral de Educação (LEG), o Chile perdeu uma grande oportunidade de se fazer mudanças radicais.
"Para a transformação radical necessária, era indispensável uma mudança na Constituição Política que rege as leis do país, que ainda hoje é a mesma da ditadura. Se pensamos que a dimensão institucional e de financiamento se constituem dois eixos chaves da política educativa, deveríamos intervir nestes dois assuntos para recuperar e potencializar o caráter público da educação", argumenta.
Pais chilenos tem prioridade na educação dos filhos
A Constituição atual chilena, explica a professora, assegura aos pais o direito à preferência na educação dos filhos, ou seja, eles não são obrigados a matriculá-los numa instituição de ensino.
No Brasil, ao contrário, a Constituição de 1988 indica que esse é um dever do estado, inclusive, os pais podem ser penalizados se não matricularem as crianças na escola. Ainda na Constituição chilena está garantida a liberdade de ensino, que consiste no direito das pessoas de abrirem, organizarem e manterem estabelecimentos educacionais, ainda que existam diretrizes curriculares a serem seguidas pelas escolas. Aliás, é este o princípio que está no bojo da privatização da educação chilena.
"A educação que é um direito e um bem público acaba se transformando numa mercadoria e a vocação política de configurar uma educação democrática cede a vocação de desenhar uma educação com ranços tecnocráticos. Isso coloca em perigo a manutenção de um sistema nacional de educação", observa Maria Angélica.
Reforma educativa única na América Latina?
A professora Maria Angélica Oliva acredita que antes de se pensar em uma reforma educativa única na América Latina, a exemplo do que fez a União Européia, deve se ter em conta que uma mudança no sistema educacional só tem sentido se forem observadas as condições ao seu redor.
"A transformação educativa deve ser funcional à comunidade da qual o sistema educativo faz parte, a seu desenvolvimento sócio-histórico, propiciar o fortalecimento da sua identidade e gerar em seu seio um processo democrático que tenda ao fortalecimento do espaço público", ressalta.
Maria Angélica Oliva questiona também se uma reforma única daria as condições de emancipação necessárias para a América Latina ou se reforçaria o estigma de colonização de nossos países. E você, o que pensa sobre as possibilidades de mudanças na educação da América Latina?
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Conheça o Portal EMdiálogo - uma iniciativa dos Observatório Jovem da UFF e da Juventude da UFMG para promover a melhoria do Ensino Médio no Brasil.
Qual é a cara do Ensino Médio brasileiro? Entrevista com o professor Gaudêncio Frigotto
“Abordar o Ensino Médio, ou a educação em geral, é tentar entendê-lo do ponto de vista de como ele foi sendo produzido historicamente. E de fato o Brasil praticamente não tem Ensino Médio rigorosamente, em quantidade e em qualidade”, a análise é do professor Gaudêncio Frigotto.
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Docente da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), autor de livros e artigos sobre educação e reconhecido como um analista crítico do sistema educacional brasileiro, o professor Gaudêncio recebeu o EMdiálogo em sua casa para refletirmos sobre a “cara” do Ensino Médio no país. Confira aqui parte da entrevista publicada na íntegra no portal EMdiálogo
EMdiálogo - Que aspectos da nossa história nos levaram a esse tipo de Ensino Médio que temos hoje?
Gaudêncio Frigotto - O não atendimento em quantidade e qualidade do Ensino Médio vem de uma sociedade que viveu um longo período de colonização. Fomos colônia dos franceses, holandeses, ingleses e, finalmente, o domínio dos portugueses. É a sociedade ocidental, por outra parte, que mais demorou em promover a libertação dos escravos, quase 400 anos. Isso deu um caldo cultural em que a classe dominante muito vagarosamente evoluiu até mesmo para ter um espírito capitalista. Por isso uma classe que não foi capaz de produzir e completar a revolução burguesa no Brasil. Preferiu associar-se de forma subordinada às burguesias dos centros hegemônicos do capitalismo.
Aquela imagem de que o escravo era um animal que falava, está muito presente como um estigma escravocrata da burguesia brasileira. Estigma que afeta o poder judiciário, os políticos, a universidade e, sobretudo, a classe empresarial. Agora o trabalhador é percebido como um animal que pensa ou, como queria Taylor em sua teoria da administração, um macaco domesticável. A herança desta cultura se traduz na idéia de que o trabalhador precisa ser adestrado ou freqüentar apenas alguns anos de escolaridade. Daí, também, sermos hoje uma das sociedades que pior remuneram o trabalho assalariado. A classe dominante brasileira, até hoje, não se colocou sequer como problema a universalização real do ensino fundamental. Acesso a escola, por si é uma conquista, mas isso não significa acesso ao conhecimento e à cultura.
Por outro lado, na década de 1990 efetiva-se o desenlace da confrontação de projetos de desenvolvimento entre uma nação soberana ou um país de capitalismo dependente. O pêndulo, para usar a metáfora do sociólogo Otavio Ianni, se definiu e se afirmou por um capitalismo dependente de desenvolvimento desigual e combinado, onde a pouca escolaridade, o trabalho informal e o trabalho simples, ao contrário de serem empecilhos, são sua condição. Uma sociedade que na divisão internacional do trabalho dominam as atividades ligadas ao trabalho simples e poucos nichos de trabalho complexo.
O ensino de nível médio universal não se coloca, pois, como problema para este tipo de sociedade. Daí o descalabro quantitativo e qualitativo e os reiterados espasmos de mudanças, novas propostas e novos projetos para o Ensino Médio.
Houve uma reunião no Ministério da Educação no início de 2008 para debater a crise do Ensino Médio alardeada pelo pesquisador José Pastore da USP. Ele usou a expressão “apagão educacional”, que foi seguida pelo vozerio, de cunho moralista do dever ser, de políticos e empresários. Nessa reunião, causaram certo espanto três indicadores custo/aluno que assinalei para mostrar que o nível médio para ter qualidade, se a sociedade brasileira o quiser, é caro.
O primeiro foi retirado de uma pesquisa patrocinada pela Inter-American Dialogue e pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento cujo relatório tem o título de Futuro em Risco e trata da crise da educação na América Latina. Neste relatório assinalam que o valor a investir-se para o Ensino Fundamental e Médio, para atingir os patamares dos países desenvolvidos, é de 4.170 dólares, aproximadamente 8.500 reais à época aluno/ano. A surpresa e espanto vêm da seguinte constatação: tanto se propala a ideia linear e economicista de que a educação básica é a galinha dos ovos de ouro para o desenvolvimento, por que o Estado brasileiro apenas investe, mesmo agora com o FUNDEB (Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica), cinco vezes menos por aluno/ano do que o indicador acima?
Os dois outros indicadores, para não sair do nosso contexto, os tomei da representante das mantenedoras do Ensino Médio privado e dos demais presentes na reunião aproximadamente 20 pessoas. Eram dois ministros, diretores, coordenadores e técnicos do MEC ligados ao tema, e ainda alguns pesquisadores convidados. Da representante das escolas privadas retirei o dado do valor das 12 mensalidades da escola da qual era dona, por ela definida de boa qualidade. A média de mensalidade era de 750 reais. Isto vezes 12 temos um custo contábil aluno/ano de 9 mil reais. Por fim, a maior parte dos presentes educou seus filhos em escolas de ensino básico privado. Considerando-se o pagamento para o efetivo aprendizado de uma segunda língua em cursos especializados, já que mesmo as escolas privadas consideradas de bom nível não dão conta para isso, o custo médio aluno/ano é de mais de 10 mil reais.
A Reforma do Ensino Médio delineada pelo Decreto Lei 2.2008/96 do Governo Fernando Henrique Cardoso e de seu ministro Paulo Renato de Souza se baseava na ideia de que o Ensino da Rede de Centros Federais de Educação Tecnológica era caro. O seu custo contábil não chegava a 6 mil reais. Não por acaso foi aquele governo que protagonizou a reforma e desmonte do Estado e ampliou a privatização e a deteriorização da educação pública. Também, não por acaso, ambos são intelectuais que reforçam o atraso da burguesia brasileira.
EMdiálogo - O senhor vê um esforço do Ministério para ampliar o Ensino Médio na quantidade, qualidade ou ambos?
Gaudêncio Frigotto - Eu acho que o atual governo, com o Decreto 5154/04 sinalizou a possibilidade de mudanças, mas nem o governo e nem a sociedade se mobilizaram para inverter de fato o que se plantou nos anos duros de ideologia e política neoconservadora. É inegável o esforço do governo de ampliar o Ensino Médio, especialmente técnico em todo o Brasil. Houve a tentativa de com prometer o Sistema S para transformar uma fatia substantiva dos mais de seis bilhões de fundo público que administra privadamente em bolsas. Mas as forças conservadoras empresariais e outras, dominantes no congresso, no presente e no passado, vetaram um avanço significativo. Negociaram uma parcela de boa vontade em forma de bolsas e que notícias da imprensa mostram que esta medida não vem sendo cumprida. Mas o que cabe sublinhar é que se sinaliza um avanço quantitativo no Ensino Médio e o mesmo avanço não é efetivado na direção de se superar a dualidade e a fragmentação.
Como assinalei, no ensino público a ênfase é das escolas técnicas profissionalizantes. O próprio MEC mantém na sua estrutura a dualidade. Uma Secretaria de Educação Tecnológica e outra do Ensino Médio tradicional, reforçando a dicotomia falsa do técnico e acadêmico, geral e específico. A idéia do Ensino Médio integrado, como um tempo de travessia, para um Ensino Médio unitário evaporou-se.
Conselho Nacional aprova fim da divisão de disciplinas no Ensino Médio
A proposta do Ministério da Educação (MEC) de eliminar a divisão em disciplinas do currículo do ensino médio foi aprovada pelo Conselho Nacional de Educação (CNE) nesta terça-feira (30)
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O MEC pretende apoiar experiências curriculares inovadoras no ensino médio. Segundo a assessoria de imprensa do ministério, a partir de 2010, cerca de cem escolas deverão receber financiamento do ministério para implantar mudanças curriculares, que passariam a ser interdisciplinares e mais flexíveis, na tentativa de melhorar a qualidade da educação.
A atual estrutura deve ser substituída pela organização dos conteúdos em quatro eixos: trabalho, ciência, tecnologia e cultura, com o objetivo que o conteúdo ganhe maior relação com o cotidiano e faça mais sentido para os alunos. O objetivo da mudança é atrair o interesse do estudante de ensino médio.
Outra mudança a ser estimulada é a flexibilidade do currículo: 20% da grade curricular deve ser escolhida pelo aluno.
O texto também prevê o aumento da carga horária mínima do ensino médio – de 2,4 mil horas anuais para 3 mil – além do foco na leitura, que deve perpassar todos os campos do conhecimento. A proposta ainda estimula experiências que instiguem a participação social dos alunos, além do desenvolvimento de atividades culturais, esportivas e de preparação para o mundo do trabalho.
Nos próximos 40 dias, o MEC deverá definir o volume de recursos disponível para o programa e a forma de financiamento, se diretamente à escola ou se por meio de convênio com as secretarias estaduais.
| Entenda o que muda no currículo do ensino médio | |
| Como é hoje | Como será |
| Conteúdo é dividido em disciplinas: matemática, física, química, biologia, português, história, geografia e inglês | Conteúdo ficará mais interdisciplinar e será dividido em quatro eixos: trabalho, ciência, tecnologia e cultura |
| Grade curricular é fixa e obrigatória para todos os alunos | Com a flexibilização do currículo, o aluno poderá escolher 20% da grade |
| Carga horária: 2,4 mil horas/ano | Carga horária: 3 mil horas/ano |
“Esperamos que essa proposta seja acompanhada e avaliada e possa se tornar uma política universal”, disse a secretária de educação básica do Ministério da Educação, Maria do Pilar Lacerda. De acordo com ela, a intenção é que o programa seja estendido e que todas as escolas que oferecem ensino médio possam adotar as mudanças curriculares debatidas.
“Nossa intenção não é ter escolas modelos, mas que todas possam oferecer ensino de mais qualidade”, completou o coordenador-geral do ensino médio da Secretaria de Educação Básica, Carlos Artexes Simões.
A implantação no sistema público de ensino dependerá dos Estados, que têm autonomia para aderir ou não. A proposta também vem ao encontro das alterações no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) , que terá uma divisão por quatro grandes áreas.
Saiba mais
Qual é a cara do Ensino Médio brasileiro? Entrevista com o professor Gaudêncio Frigotto
Enquanto o governo dispara balas, manifestantes revidam com "tweets" no Irã
A convulsão social que ocorre neste momento no Irã é o típico conflito do século 21. De um lado estão os brutamontes do governo disparando balas. Do outro, jovens manifestantes disparando "tweets".
O arsenal dos manifestantes, como os tweets do Twitter.com, depende da Internet e de outros canais de comunicação. Assim, o governo iraniano está bloqueando certos websites e expulsando jornalistas estrangeiros, ou mantendo-os longe dos locais onde se desenrolam os acontecimentos.
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